Notícias

Entrevista: Gábor J. Deák, presidente da Delphi

  • A+ A-
  • PDF
  • Print option in slimbox / lytebox? (info)

Divulgação

 

Nascido em Budapeste (Hungria), o cidadão brasileiro Gábor J. Deák, 62, é uma sumidade no segmento automotivo e figura ouvida e respeitada pelas principais empresas do meio.
É presidente da Delphi Automotive Systems para a América do Sul desde janeiro de 2003, depois de 23 anos de contribuições à Maxion na América do Sul, onde assumiu cargos executivos de engenharia, logística, qualidade, produção, planejamento estratégico e desenvolvimento de novos produtos, e passagem pela Black & Decker do Brasil S.A., empresa em que iniciou sua trajetória profissional.

Deák é pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (1978) e formado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1973). Foi ainda presidente da SAE (Sociedade dos Engenheiros Automotivos do Brasil) entre 2005/6 e nomeado diretor financeiro no período de 2007/9.

No último dia 6 de setembro, ele abriu as portas de sua sala no escritório administrativo da Delphi, na simpática São Caetano do Sul --região do ABC paulista, berço da indústria de quatro rodas--, para uma franca conversa com a equipe do Projeto Formare.

Em pouco menos de uma hora de entrevista, Deák relembrou a história de parceria com a Fundação Iochpe e a importância do investimento constante em ações de responsabilidade social.

 

Crédito das imagens: Cris Meinberg/Arte Formare

 

Divulgação

 

Formare - A Delphi é a empresa com o maior número de Escolas Formare --sete ao todo, o que lhes dá muita segurança para avaliar o impacto do projeto na rotina da corporação. Faça, portanto, uma comparação entre a Delphi que começou esta história com o projeto, há dez anos, na planta de Piracicaba (SP), com a Delphi atual.  
 
Gábor Deák - A Delphi que começou o projeto era tão boa e consciente quanto é hoje, mas sem os resultados e as realizações em termos de atividades com impacto na sociedade. Ou seja, tínhamos o conceito, mas não resultados para mostrar.

Começaram, assim, a surgir uma série de programas em algumas das plantas da Delphi, mas sem consistência, sistematização, garantia de bons resultados e segurança de que nossos interesses seriam alcançados. Efetivamente o Formare foi a oportunidade de fazer alguma coisa sem precisar “reinventar a roda”. Isto é, o projeto traz, no bojo, uma estrutura de organização que abrange todos os aspectos e está muito bem estruturado; não é um impulso momentâneo em que poderíamos ter o risco de fazer alguma coisa e, a seguir, não mantê-la.

Não precisava de argumentos para me convencer de que o Formare era importante e funcionava bem. A verdade, porém, é que a iniciativa de implantá-lo aqui não foi minha, mas de um grupo de pessoas, inclusive, à época, do presidente [Volker Barth] e do diretor de Assuntos Corporativos, RH e Novos Negócios [Martin Wells].  Eu era o responsável pelas plantas de Piracicaba (SP) e Cotia (SP) e, portanto, o meu convencimento foi muito fácil porque, quando eles disseram ‘vamos fazer’, estávamos todos de acordo.
 
O Formare não foi a nossa primeira iniciativa e diria que não é a única de sucesso, mas é a de maior sucesso e visibilidade. Talvez alguns números dele não sejam tão maravilhosos como os de outros programas, mas a abrangência e os resultados alcançados são absolutamente os melhores.

 

::MAIS ENTREVISTAS

>Claudio Luna Scalise, Gerente-Geral de RH da Usiminas - Usina Cubatão

>Roberto Ríos, presidente da Divisão de Alimentos da PepsiCo do Brasil

>Responsabilidade social eficaz passa por boa comunicação, diz especialista

>Consultores falam dos desafios para gerenciar carreira dos jovens

>Coaching em sustentabilidade fala da importância do voluntariado nas empresas

 
Formare - O Projeto Formare tem como objetivo principal formar jovens como cidadãos. De forma equivocada, no entanto, muitas empresas o veem meramente como uma oportunidade de capacitação de mão de obra e retenção de talentos. Bem sabemos, porém, que os conceitos por trás de um projeto social são muito mais do que isso. Que significados a Delphi atribui ao Formare?
 
Deák - Retenção ou formação de talentos é uma questão importante, mas talvez não seja exatamente o objetivo do Projeto Formare. Em torno de 20% de nossos ex-alunos continuam conosco e 80% deles não estão mais aqui. Isso é exatamente como deve ser feito porque não é um programa de formação da própria mão de obra, e sim um programa de desenvolvimento da sociedade, em que a empresa e os voluntários se empenham.

Na Delphi, hoje, a proporção entre voluntários e alunos é algo na base de 2 para 1, ou seja, temos 300 voluntários e 140 alunos. O que fazemos é mexer na cabeça, no comportamento e na responsabilidade social de todos eles, que estão, de fato, agindo. Estas 300 pessoas podem não ser uma enormidade de gente perto do universo da Delphi, que tem cerca de 10 mil colaboradores, mas são suficientes para uma mobilização importante.

 

Divulgação


Ou seja, estes 3% são ativos numa população em que muitos são acomodados, acham que não têm nada com isso, não se acham habilitados e têm outros interesses, limitação de tempo e tudo o mais.
 
Então este é um primeiro ponto importante. E o segundo é que o Formare não deveria ter a responsabilidade de fornecer mão de obra e, sim, de contribuir para a modificação da sociedade. E isto acontece quando você não retém tudo o que cria para si.

 

Independentemente de termos oportunidades em nossas plantas, continuamos mantendo as Escolas Formare, mesmo que eventualmente ninguém seja aproveitado, porque a finalidade é alterar a sociedade.

 

Divulgação

 
Formare - Após dez anos de contato com o projeto, a Delphi pretende estagnar os investimentos em responsabilidade social ou há interesse em expandir o Formare nas unidades? Se sim, quais?

Deák - Não pretendemos estagnar as atividades de desenvolvimento social, mas o Formare não é a única forma pela qual atuamos em relação à sociedade. Não chegamos à conclusão de que deveríamos ter mais do que uma Escola por site, mas dez é o número mais representativo para aquelas plantas que têm tamanho e recurso para serem autênticas e em condições de iniciar uma atividade como esta.
 
Mas esta não é a única atividade que a Delphi desenvolve. Temos vários programas importantes. Um que impressiona muito é um evento mais curto no qual damos visão de sustentabilidade a alunos da rede de ensino das comunidades, abrindo visitas a estações de tratamento e criando uma espécie de Semana do Meio Ambiente. Ela começou muito modestamente também na planta de Piracicaba (SP) e, hoje, temos mais de 70 mil pessoas que já participaram desse programa.

Além disso, cada fábrica ajuda determinadas organizações dentro da sua região; não são ações corporativas.
 
Formare - Em entrevista recente para o nosso site, o senhor afirmou que o Formare é o principal projeto da Delphi na América do Sul. Vocês pensam em expandi-lo para unidades fora deste eixo sulamericano?
 
Deák - Alguns estrangeiros têm nos visitado e conhecido o Formare. Não ficaria surpreso se, amanhã ou depois, conversássemos a respeito disso. Nesse momento não temos nenhum plano concreto de expandi-lo para fora do Brasil, mas acho a ideia boa.

Precisamos pensar em que lugares do mundo o Formare faria sentido. Por exemplo, acho que há oportunidades no México, não necessariamente na Argentina, que seria a decisão natural da gente pela proximidade.

 

::LEIA MAIS SOBRE A DELPHI

>Escola ganha homenagem da Câmara Municipal de Jaguariúna

>Escola Delphi Jaguariúna forma a primeira turma

>Jovens visitam Fatec Americana (SP)

>Gestão unificada e economia aquecida impulsionam Formare Delphi Pinhal

>Delphi Jaguariúna (SP) promove almoço de reconhecimento aos voluntários

>"Formare é o principal projeto social da Delphi na América do Sul", diz Gábor Deák

>Alta cúpula da Delphi divulga cartas para estimular a adesão de novos voluntários

>Delphi forma 6ª turma da unidade de Jambeiro (SP)


Formare - O Formare divulga o seu trabalho junto à Delphi em espaços de publicidade de diversos veículos de comunicação, principalmente os do segmento automotivo, entre eles as revistas AutoData e Automotive Business. Então, além de partir para a ação, também é importante fazer propaganda? O que o senhor acha de ser o porta-voz do Formare em nossos anúncios?

Deák - Não fazemos pela propaganda e pela publicidade, mas, já que fazemos, vamos mostrar para os outros, exatamente porque a sociedade dá, hoje, um valor diferenciado à questão da responsabilidade social, da contribuição para a melhoria do mundo.
 
Usamos o Formare como ponto de atuação inclusive nas comunidades em que atuamos. Ele abre portas e permite que utilizemos a existência da Escola para buscar outros tipos de comportamento. Isto é muito bom porque ameniza a visão áspera da empresa dentro da comunidade, dizendo: ‘não viemos aqui apenas para criar empregos e aproveitar a mão de obra. Viemos também para gerar riqueza, pagar impostos e dar uma contribuição para que haja um desenvolvimento direto’.


Divulgação

 

Formare - Percebemos que o Formare provocou uma transformação não só na Delphi, mas também no Gábor Déak como pessoa. Isto é, o projeto trouxe uma satisfação pessoal que não está diretamente ligada à empresa. Gostaríamos que você desenvolvesse melhor esta constatação.


Deák - É muito simples. A atuação profissional exige uma dedicação quase sem limites aos negócios da companhia. Porém, como a geração de 80 para cá já sabe, a vida não é só trabalho e, nas horas de folga, quando dá tempo, é a família.

Tenho uma preocupação, talvez até pela própria idade, de dizer ‘poxa, além de trabalhar o tempo todo e prover os recursos da família, o que mais eu fiz?’. E tenho muito pouco tempo disponível e poucas oportunidades para isso. Uma delas é a atuação na SAE [Sociedade dos Engenheiros Automotivos do Brasil], que é espontânea e voluntária e visa, de alguma forma, devolver o que recebi por ter estudado engenharia e obtido um relativo sucesso na área, e a segunda delas é ter atuado durante um tempo, ainda pela Maxion, na AACD [Associação de Assistência à Criança Deficiente], mas descobri que não tinha como manter aquilo.

O Formare, assim, é uma oportunidade de, com um investimento modesto do meu tempo, e com uma estrutura muito bem montada, poder usar a minha influência para fazer alguma coisa.

Muito tempo atrás o Ivoncy [Ioschpe; empresário e presidente do Conselho da Fundação Iochpe] me disse esperar que os executivos dele tivessem uma atuação em responsabilidade social, mas que ela  não fosse o lado fácil de ‘então tá aqui o cheque’ e tudo bem, mas que as pessoas dessem aquilo que elas têm de mais importante, que talvez seja o seu tempo.
 
Bom, não tenho muito tempo, mas o conceito ficou muito bem gravado que é, em algum momento, sair da teoria e fazer pessoalmente alguma coisa. E a minha contribuição, que é muito modesta mesmo, é ajudar o Formare a continuar fazendo um trabalho bonito, importante, e que faz diferença (por Edson Lovatto, enviado a São Caetano do Sul, com colaboração de Cris Meinberg).

Comentários  

 
#3 Vanessa Brito 21-09-2011 23:58 Escola Formare Delphi Cotia
Olá, sou Formare da planta de Cotia, a 10ª turma, e gostaria de dizer que é um prazer enorme para nós, Formares, estarmos entre pessoas tão bem preparadas e motivadoras. Sabemos que por trás de tudo o que vemos, existe uma enorme equipe nos dando apoio e nos preparando para o breve futuro. fazer parte desse programa, dessa equipe, é realmente um privilégio. Com toda certeza, este está sendo um dos melhores acontecimentos da minha vida e que, com certeza, será sempre lembrado, pois o Formare nos mostra a cada dia que todos os nossos sonhos são possíveis.
Agradeço a Delphi e a todos os colaboradores, que tanto se dedicam para transformar jovens inexperientes como nós, em cidadãos profissionais, e com isso, contribuem para o crescimento da sociedade.
Parabéns Gábor, parabéns a toda a Empresa Delphi, que abraça esse projeto confiante nos seus resultados.
Muito obrigada!
Citar
 
 
#2 Wagner 21-09-2011 10:53 Escola Formare 7 Escolas na Delphi
Parabéns a todos envolvidos, ficou excelente o trabalho. O Gábor não enfatiza muito, mas é um grande incentivador e provedor do Formare na Delphi. Fico muito feliz com a reportagem e com o reconhecimento a um grande trabalho desenvolvido por ele. Fico satrsfeito quando vejo o trabalho maravilhoso e responsável da Fundação Iochpe e de grandes executivos de grandes empresas ser reconhecido, como é o caso do Gábor nessa entrevista e da citação a todos os nossos valorosos educadores voluntários. É uma honra e um prazer participar intensamente de tão maravilhoso projeto de responsabilidad e social.
"Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"
O Formare é uma fonte inesgotável de aprendizado e inspiração, principalmente para quem generosamente atua como voluntário.
Valeu gente!!!
Wagner Enrique
Coordenador Corporativo Formare Delphi
Citar
 
 
#1 Marlene Gwadera 21-09-2011 08:01 Escola Formare Delphi
Ficou muito boa a entrevista. Parabéns! E pela criatividade com as fotos, também. Beijo!
Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

  • A+ A-
  • PDF
  • Print option in slimbox / lytebox? (info)
Joomla SEO by AceSEF